Carta ao Pai

Carta ao Pai

Por Rodrigo Resende

Joãozinho decidiu que não iria assistir ao jogo. E nem ouvir. Desligou o rádio e pegou uma folha em seu caderno. Estava decidido a deixar de lado uma de suas maiores paixões: o Bahia. Não que fosse mudar de time, não é isso. Iria abandonar o gosto pelo futebol. Mas como falar para o seu pai, torcedor fanático do tricolor, aquela sua derradeira decisão?

O negócio era escrever. Uma carta seria o modo menos traumático para contar. Encostou a porta do quarto para não ouvir a TV, sempre em volume máximo, na qual o pai acompanharia o jogo deste domingo. O adversário: um dos candidatos ao título, o Internacional, fora de casa.
Joãozinho respira fundo e pega seu lápis e começa a escrever:

“Papai,

O senhor sabe o quanto eu sou apaixonado por futebol e muito dessa paixão se deve ao senhor. Quantos jogos do Bahia já assistimos juntos? Quantas vezes você já me falou sobre o esquadrão campeão de 1988, passando por times tradicionais como Flamengo, Cruzeiro e Santos? E o campeonato de 1959, o primeiro brasileiro? Você sempre me deliciou com as histórias do vovô sobre aquela histórica conquista ...

Pai, tudo isso faz parte da minha história e serei eternamente grato. Porém, a atual situação do tricolor baiano esta me machucando demais, pai. Primeiro, aquelas mortes na Fonte Nova. Como tricolor, senti que um pedaço da minha paixão foi junto com a vida daqueles torcedores. E hoje nem falamos mais nisso ...

Agora, nesse ano, é humilhação... continue lendo






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