Série a voz Tricolor: Um presidente, uma entrevista e a realidade

Um presidente, uma entrevista e a realidade

Por Ronaldo Souza

É claro que vocês já ouviram a coletiva de alguns treinadores após o jogo. Já tiveram alguma vez a impressão de que o técnico viu um jogo e você viu outro?

Não foi impressão, tive certeza de que na recente entrevista ao globoesporte.com o presidente do Bahia falou de uma situação e o que se vê é outra completamente, absolutamente, totalmente diferente.

Não dá para analisa-la toda. Vamos a um pouco dela

“De boa oratória, Guimarães Filho usa o dom político e, com fala segura, discorre sobre vários temas, sempre tranquilo, bem humorado e sem demonstrar preocupação ou tensões”.

O que chamaram de tranquilidade nessa entrevista na verdade reflete a sua frieza e indiferença (vi algumas pessoas chamarem de cinismo e outras usaram expressões muito mais fortes) com as coisas do Bahia. Vamos trazer para uma linguagem mais popular? Ele não ‘tá nem aí.

“O Lomba, como todo o time, não estava vivendo uma boa fase, mas é um ídolo do torcedor”.

Não presidente, você está completamente errado, ele não é mais um ídolo. Está mal em campo e com a torcida. A torcida não quer mais Lomba, Titi, (Neto é nada) e principalmente o ídolo e guru deles: SOUZA. A torcida não quer ver mais Souza vestindo a camisa do Bahia.

“É por vezes duro, em poucas ocasiões. Em outras, é irônico, como quando fala da arquivada CPI do Futebol Baiano. Durante a maior parte do tempo, é franco”.

Uma ironia que na verdade é um deboche, como fez com a justiça (letra minúscula mesmo) da Bahia no episódio dos computadores durante o período da intervenção do ano passado. Foi inacreditável como ele zombou da justiça baiana. Fará o mesmo agora, vai desmoralizar a justiça outra vez?

Dessa vez, porém, o deboche foi com os torcedores, esses pobres coitados, entre os quais me incluo, que estupidamente imaginaram que haveria uma CPI do futebol. Uma CPI, que seria muito bem vinda nesse momento, que surgia com a promessa de investigar o presidente da Federação Baiana de Futebol (e consequentemente as coisas da própria federação) e o Bahia.

É possível que alguns deputados tenham esquecido que votaram contra os anseios de alguns milhões de pessoas, milhões de pessoas que, além de serem apaixonadas pelo Bahia, são eleitores. Dois mil e quatorze é ano de eleição e está aí, batendo na porta. Não sei porque, mas tenho a impressão que a lista com os nomes dos deputados que votaram contra o Bahia vai reaparecer ali pertinho das eleições.

“Os jogadores que estão aí estão muito preocupados com o que pode acontecer. Pode haver uma intervenção, etc. Eles, certamente, devem estar falando com outros colegas de profissão. Mas os empresários ainda não falaram nada com a gente. Mas que os jogadores estão apreensivos com uma possível intervenção, de o clube ficar sem comando, o que pode acontecer, essas coisas, eles estão apreensivos sim. E espero que isso não reflita em campo.”

Chantagem com cheiro de terrorismo e estou bem à vontade para dizer isso porque sou réu confesso. Na intervenção do ano passado fiquei apreensivo “com uma possível intervenção, de o clube ficar sem comando” e cheguei a considera-la inoportuna naquele momento. Hoje, considero que a intervenção não será oportuna, em qualquer momento ela será absolutamente necessária. O clube já está sem comando há muito tempo e o reflexo em campo só o presidente não vê.

“A outra (dificuldade) é que remontar o time no meio do ano é mais difícil ainda do que em dezembro e em janeiro. A gente está tendo também essa dificuldade.”

Presidente, não acreditei quando li isso. Por essa incompetência e absoluta falta de inteligência e sensibilidade eu não esperava. Definitivamente, você mostrou o quanto é incompetente. Paulo Angioni, o gestor dos seus sonhos, disse em todos os começos de temporada (nos meses de janeiro dos anos 2011, 2012 e 2013) que o Bahia não precisava de contratações, só ia fazer algumas pontuais, bla, bla, bla, bla... e em todos esses anos precisou correr atrás de contratações de última hora, trazendo os refugos que trouxe com salários altíssimos, inchando o plantel e a folha de pagamento. Até ontem você dizia que o time era bom, melhor do que o do Vitória, e agora diz que “a outra (dificuldade) é que remontar o time no meio do ano é mais difícil ainda do que em dezembro e em janeiro”.

Presidente, você deixou claro, bem claro, que está completamente perdido, não tem ideia do que está fazendo. Logo você que sempre disse que o Bahia tinha planejamento e que o outro time (que estava na segunda divisão, sabe de qual estou falando, não sabe?) não tinha... Presidente, como foi que você conseguiu ser tão... inocente?

O pedido do torcedor para tirar jogador – nem soube especificamente dos nomes – é tudo passional... Alguns jogadores que a torcida pediu a gente tirou, eles realmente não estavam bem e tinham de ser afastados.

Presidente, todas as torcidas são passionais. É isso que faz do futebol o que ele é. E é justamente dessa paixão que tiram proveito os homens pequenos. O torcedor vê o time como objeto de paixão. Há quem o veja como objeto de..., oh, presidente, deixe eu ficar calado.

De fato afastou alguns jogadores. No dia seguinte a mais uma humilhação, o presidente anunciou uma relação de 14 jogadores que seriam dispensados e já viu a mancada que ia dar com alguns desses afastamentos. Mas não tirou nenhum dos que a torcida pediu. O que a torcida pediu para tirar porque ela não quer nem ver são SOUZA, LOMBA, TITI e NETO é nada. Nesses você sequer tocou. NEM VAI TOCAR. Mais uma vez a democracia tricolor nem tomou conhecimento da torcida.

Esses jogadores que o torcedor está acostumado há muito tempo são jogadores que têm mercado. O Souza, o Lomba, o Titi, o Neto... O Neto, em janeiro, o Botafogo queria levar. O Titi teve o Palmeiras e o Cruzeiro também, que depois levou o Dedé, o Lomba é um goleiro que qualquer clube quer.

Pergunte se Palmeiras e Cruzeiro querem Titi agora? Pergunte se o Botafogo ainda quer Neto é nada. Pergunte qual time grande quer Lomba agora. E Souza, hein presidente, por que você não fala em quem pelo amor de Deus vai querer levar? Resposta, ninguém. Ninguém terá a competência que tiveram Marcelo Guimarães Filho e Paulo Angioni, o gestor dos seus sonhos, para trazer esse grande centro avante por R$170.000,00 mensais (presidente, você viu o que Juca Kfouri disse sobre isso?). A série B espera Souza. Será que ele vai encerrar a carreira (na verdade já encerrou) jogando pelo Bahia na série B? Qual o grande mistério que envolve Souza e o Bahia?

Presidente, você mesmo se encarregou de mostrar a insignificância da sua entrevista e a relação dela com a realidade, ao contratar um dos escritórios de advocacia mais caros do Brasil para faze-lo permanecer na presidência. A qualquer preço. Como diz aquele programazinho de televisão, custe o que custar. Lá se vai, agora de outra forma, o rico dinheirinho do clube.

Torcedor, você já viu que assim que estiver recuperado para pegar um babinha, Souza vai voltar e aí, até a próxima contusão, será titular absoluto outra vez. A sua opinião e nada é exatamente a mesma coisa. Mesmo assim pergunto: você vai permitir que ele continue vestindo a camisa tricolor? Tem alguém na diretoria com medo de dispensa-lo? Se tem, por que?

O que? Ah, entendi. Faz tanto tempo que ele não joga que você não sabe de quem estou falando. Souza é aquele que enquanto o Bahia tomava de sete estava fazendo uma farrinha no Rio de Janeiro.

É melhor sofrer agora do que sofrer muito mais depois.


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