Série a voz Tricolor: Brincando com o perigo



Brincando com o perigo

Por Ronaldo Souza

Quem é pai sabe que, por mais que lhe incomode, tem que dizer não várias vezes ao seu filho. Cabe dosar, para que não pareça à criança que tudo é proibido e assim cria-la cheia de restrições. Ao mesmo tempo, deve deixar que a criança experimente algumas sensações, digamos, desconfortáveis, para conhecer os “perigos” que a vida põe à nossa frente.

Entretanto, sabemos que muitos pais criam os seus filhos como donos do mundo, não há limites. As eventuais dificuldades que surgem na vida da criança são sempre contornadas pelo “poder” do pai, para que o seu filho seja um reizinho. Como isso é comum.

Será que podemos de fato “culpar” o adulto que continua criança? Talvez não devêssemos, mas a vida não é assim. Ela não perdoa. Apesar de muitos não perceberem, os filhos são as coisas mais importantes do mundo para os pais, não para o mundo. E o mundo é cruel.

É possível que Marcelo Guimarães Filho, presidente do Bahia, não tenha ainda a real dimensão do mundo. É possível que ele não consiga entender que o mundo não o vê como o vê quem provavelmente mais o ama; o seu pai.

Somente isso pode explicar a sua absoluta ausência da realidade que o cerca, que por sua vez talvez explique a sua arrogância, prepotência e destemor. Não o destemor pela coragem, mas pelo desconhecimento do perigo.
É possível que a sua formação não lhe tenha proporcionado acesso ao conhecimento dos sentimentos humanos e, como consequência, ao conhecimento do que é capaz o homem quando tem os seus instintos mais primitivos despertados.

É possível que, por razões que não me cabe analisar, até pelo desconhecimento delas, ele não tenha tido acesso aos registros da literatura nesse sentido, mas o cinema está aí e até a televisão, com uma pobreza maior na qualidade da informação, com registros que falam da força das manifestações que ocorrem pela explosão de sentimentos contidos.

Será que Marcelo Guimarães Filho não está percebendo a gravidade do problema que criou e do qual é perigosamente o protagonista maior? Será que não percebe as evidências claras e cada vez mais fortes de que afloram sentimentos que podem explodir a qualquer momento com intensidade absolutamente imprevisível e, quem sabe, incontornável?

Será que ele está pensando que ainda pode colocar o dedinho na tomada e no máximo tomar um pequeno choque?

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