Entrevista de Joel Santana após acertar com o Bahia

Joel de volta ao Bahia. O que isso significa para você?
A confirmação da relação de carinho que existe entre ambas as partes. Minha carreira foi construída em dois estados: o Rio de Janeiro, onde nasci e conquistei oito títulos, e a Bahia, que também se transformou em minha casa após os quatro campeonatos que ganhei aí.

Você chega em um momento complicado para o clube...
É a cumplicidade. Assim como o Bahia precisa do Papai, o convite chegou em um momento difícil da minha vida. Passei por uma cirurgia no ano passado. Estou com uma prótese total no quadril e um corte na perna de quase 20 cm. Parece que estou começando tudo de novo depois de 30 anos. Aí, recebi o telefonema do Marcelinho (Marcelo Guimarães Filho, presidente do tricolor), e ele me perguntou se eu gostaria de treinar o Bahia. Eu disse que era uma honra. Senhor do Bonfim atendeu o meu pedido. É um prazer voltar.

E como você está agora, depois dessa cirurgia?
Eu vinha fugindo dessa operação há quatro anos. Por isso, não conseguia caminhar direito. Aí, em setembro do ano passado, eu finalmente fiz a cirurgia, na qual me colocaram essa prótese de titânio entre o quadril e o fêmur. Agora, estou no último estágio de recuperação. Primeiro, estava andando com a ajuda de um tripé. Depois, com duas muletas, uma só, e agora ando normalmente. Faço só musculação pra engrossar a perna e deixá-la igual à outra. É a mesma cirurgia que o Pelé fez. Estou tão feliz de voltar ao Bahia que vou abrir mão de muita coisa.

Como assim?
Questão financeira mesmo, de salário.

Com seu retorno, é impossível não lembrar do episódio em que você comparou o Bahia a uma sardinha, e a saída no ano passado para assumir o Flamengo. Vai ser bem recebido pela torcida mesmo assim?
Sobre essa coisa da sardinha, eu nem comento mais. Mas, em relação à ida pro Flamengo, te pergunto: Se amanhã o New York Times te faz uma proposta, você faz o quê? (pausa) Já saí cinco vezes e voltei cinco vezes pro Flamengo. Saí cinco vezes do Vasco e voltei. O mesmo aconteceu no Fluminense e no Botafogo. E todas as torcidas me amam. A torcida do Bahia sempre me recebe bem. Não vai ser diferente desta vez.

Não acha que alguém pode ter ficado magoado por você ter ido para o Flamengo no meio do Campeonato Baiano?
Isso não é nada de mais, cara. Não significa trair o clube. Traidores são os caras que vão praí e não fazem nada, deixam o time 10 anos sem título. Esses, sim, são maus profissionais. Não eu, que sempre ganho campeonatos quando treino o Bahia.

Desde julho, quando caiu no Flamengo, você não treina um time. Está atualizado?
Pergunte qualquer coisa sobre o futebol no mundo que eu respondo. Ontem, tava vendo aquele time lá do Júlio César, Queens não sei das quantas, contra outro que também luta pra não cair. Eles levaram um gol aos 46 do segundo tempo. Vejo tudo que é jogo em casa.

E o Ba-Vi, assistiu?
Claro. Como ia perder? Passou ao vivo aqui no Rio.

Entendeu o que aconteceu?
Não. Uma goleada daquelas não é normal. Fiquei assustado, assim como o Brasil todo também ficou. O primeiro tempo foi equilibrado, mas depois a coisa desandou.

Corre nos bastidores que um dos motivos para Jorginho ter caído foi o fato de ele ter deixado Souza fora do Ba-Vi. Você o levaria para o jogo?
Não vou entrar em detalhes, pois eu não estava aí. Não sei qual é a bronca.

Mas, em condições normais, você o teria escalado, não?
Souza é um líder, grande jogador, mas não posso te responder isso. Conheço vários jogadores do Bahia e sei que vou me dar bem com todos. Trabalhei com Souza e Obina juntos no Flamengo. São pessoas muito especiais.

Dá para eles jogarem juntos?
Por que não? Na vida, tudo é possível. Não sou eu que falo, é a vida que fala. Você é muito novo ainda, né? Vai ter muito o que aprender.

No Bahia, você vai trabalhar com Freddy Adu, que só fala inglês. Dominador do idioma, você não terá problema para se comunicar com ele, né?
Eu falo até árabe, rapaz. Salaam Aleikum (do árabe, que a paz esteja sobre vós) pra você (risos).

E o inglês?
Falo, como falo também espanhol. Trabalhei no Japão, África do Sul, no mundo árabe. Tá bom pra você (risos)? O futebol é universal. Mas acho que é ele que tem de se adaptar e aprender nossa língua. No mais, tudo é festa.

Entrevista ao A Tarde.

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